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Polestar prepara a maior ofensiva de produto com quatro novos modelos elétricos até 2028

Carro elétrico branco POL3star estacionado em showroom moderno com fundo urbano ao ar livre.

Num momento em que a indústria automotiva demonstra cautela diante do esfriamento da procura por veículos elétricos, a Polestar dá sinais de não ser afetada por esse cenário: segue em ritmo constante e não abre mão do caminho que definiu.

A prova disso é o anúncio da maior ofensiva de produto da sua história - ainda recente - com quatro novos modelos nos próximos três anos, todos 100% elétricos.

É com essa combinação que a marca quer se firmar no segmento premium. Mesmo com um começo turbulento, a “máquina” finalmente engrenou - e ambição é o que não falta. A meta é crescer em vendas em dois dígitos já neste ano, depois de 2025 ter sido o melhor ano de sempre.

Foi nesse contexto que conversamos, com exclusividade, com Michael Lohscheller, o executivo alemão que desde 2024 comanda a Polestar, após passagens por Opel, Volkswagen, Mitsubishi e VinFast.

Com mais de 120 maratonas no currículo, Lohscheller trouxe para a marca sueca a energia, a disciplina e a ambição típicas das corridas - justamente quando a Polestar precisa encarar o seu próprio teste de resistência.

Caminho está traçado

Os obstáculos não são poucos, já que o setor automotivo atravessa uma fase especialmente instável. Ainda assim, a Polestar tem clareza sobre o destino que pretende alcançar - e, como se costuma dizer, isso já resolve metade do problema.

Para o gestor alemão, essa definição é o principal diferencial competitivo da Polestar, sobretudo num momento em que concorrentes diretos vêm revendo muitos planos, reduzindo a aposta na eletrificação total e reforçando o compromisso com motores a combustão.

“\“Nós temos um objetivo claro. Sabemos para onde queremos ir. E isso não é verdade para toda a gente\””, afirmou, ao responder à nossa analogia entre a sua paixão por maratonas e a “corrida” em que a Polestar está envolvida: “\“Sabemos onde é a partida e onde é a meta\””.

“\“Espero que todos concordemos que devemos eliminar as emissões do setor da mobilidade e do transporte. Mas alguns dos nossos concorrentes não concordam com isso. Não sei que corrida é que eles estão a correr, mas não é a nossa\””, disparou.

“Não” absoluto aos híbridos

Enquanto algumas marcas concorrentes voltam atrás nas promessas de eletrificação total para abrir espaço a novos híbridos, é aqui que Michael Lohscheller estabelece uma linha vermelha inegociável:

“Não vamos fazer híbridos (…) podem citar-me”.

“Sabemos o que estamos a fazer: queremos produzir apenas carros elétricos e queremos ampliar o nosso portfólio para que mais pessoas tenham acesso à nossa marca”, reforçou, antes de direcionar críticas à Comissão Europeia. Recentemente, a Comissão flexibilizou as metas de emissões para 2035, permitindo a continuidade dos motores de combustão interna - ainda que sob condições muito específicas.

Sobre essa mudança, o executivo reconhece que as alterações “não são significativas”, mas lembra que se trata de algo debatido com decisores políticos “durante anos e anos e anos” e que a indústria automotiva “investiu milhares de milhões de euros na eletrificação”: “agora as pessoas querem discutir novamente as coisas e isso não está certo”.

Europa em risco?

Mais do que reagir a uma mudança de regras “no meio do jogo” por parte da Comissão Europeia, Lohscheller fez questão de frisar que esse vai e vem de decisões políticas na Europa “não ajuda a indústria”.

Precisamos de competir com empresas globais que oferecem mobilidade de zero emissões. Acredito que a Europa faria melhor se competisse do que se tentasse proteger toda a gente.

“As tarifas e o protecionismo nunca serão um bom caminho para a Europa. Queremos competir, queremos ter ideias inovadoras para os consumidores e queremos cumprir os acordos que foram feitos ao longo de vários anos”, reforçou.

Aposta nos clientes

Apesar de admitir que os avanços e recuos europeus rumo à eletrificação total “não são bons”, Michael Lohscheller argumenta que cada venda funciona, na prática, como um voto de confiança na estratégia da marca sueca:

“Seguimos totalmente elétricos porque os nossos clientes estão a votar em nós. Os políticos podem fazer muita coisa, mas são os clientes que votam em nós. Eles votam na Polestar”, disse, reconhecendo também o peso que a expansão de espaços físicos terá para o crescimento.

Vale lembrar que, apesar de ter tentado entrar no mercado com um modelo exclusivamente digital, a Polestar vem adotando gradualmente um formato híbrido. A rede já ultrapassa 200 espaços físicos (quase sempre associados a locais já existentes da Volvo), e a meta é avançar para além de 350.

“É fundamental que os nossos clientes tenham uma experiência premium. E acreditamos que a melhor forma de proporcionar isso é através dos concessionários, que contam com vendedores qualificados que saibam explicar o carro e os seus diferenciais técnicos, podem fazer um test drive e apresentar uma proposta”, afirmou.

A maior ofensiva de sempre

Para sustentar a ambição apresentada, a estratégia passa pelo que Lohscheller descreve como a maior ofensiva de produto já feita pela marca: quatro novos modelos até 2028.

No topo dessa “pirâmide” está o Polestar 5, um GT de quatro portas com chegada já neste verão, assumindo o papel de porta-estandarte da fabricante sueca. Ele pode ser encarado como rival do Porsche Taycan e já pode ser encomendado em Portugal, com preços a partir de 122 600 euros.

O modelo se destaca pelo pacote tecnológico, pelo visual marcante e por versões com potência total de 650 kW (884 cv) e 1015 Nm, capazes de ir de 0 a 100 km/h em 3,2s. Mas, num momento em que a Polestar ainda busca ganhar volume (foram 60 119 veículos comercializados em 2025), o foco recai sobre o 7, que deverá funcionar como a nova porta de entrada no universo Polestar.

Com lançamento previsto para 2028, esse SUV do segmento C - equivalente a um Volvo EX40 ou BMW iX1 - tem tudo para virar o carro mais vendido da marca sueca. Afinal, deverá ser o mais acessível da gama, posto que hoje ainda pertence ao Polestar 2, que também terá um substituto no início de 2027.

Já o Polestar 4, que de forma surpreendente se consolidou como best-seller da Polestar, vai ganhar uma segunda versão, com lançamento previsto para o fim deste ano - uma espécie de crossover que combina “os genes de uma carrinha com a versatilidade de um SUV”.

A lógica Apple

No total, a gama da Polestar nunca foi tão ampla e, em 2028, terá cinco modelos (ou seis, se contabilizarmos as duas variantes do 4). E seguirá sempre a mesma lógica de nome: carro novo, número novo.

Para Lohscheller, não existe complicação: “Sempre que lançamos um carro novo, atribuímos um novo número. Por isso, o Polestar 7 recebeu uma nova numeração, já que o Polestar 6 já foi apresentado e chegará um pouco mais tarde”, explicou, antes de recorrer a uma comparação tão inevitável quanto inesperada: “A Apple faz a mesma coisa”.

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