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Blue Water Autonomy inicia construção do primeiro navio logístico autônomo classe Liberty para a US Navy com a Damen Shipyards

Pessoas observando navio Liberty-class navegando em porto, vista interna por janela ampla.

Programa classe Liberty: anúncio, parceria e calendário

Em mais um movimento para ampliar o emprego de tecnologias autônomas no ambiente naval, a empresa norte-americana Blue Water Autonomy comunicou o início da construção do primeiro dos novos navios logísticos autônomos da classe Liberty destinados à Marinha dos Estados Unidos (US Navy). Desenvolvido em colaboração com o consórcio holandês Damen Shipyards, o programa marca um avanço estratégico ao levar sistemas não tripulados para uma escala maior, reunindo um projeto já consolidado, autonomia operacional e potencial de fabricação em série. Conforme o cronograma planejado, a obra do primeiro navio começa em março de 2026, no estaleiro Conrad Shipyard, na Luisiana, com entrega prevista para o fim desse mesmo ano.

Capacidades dos navios logísticos autônomos da classe Liberty

Os navios da classe Liberty terão 60 metros de comprimento, casco de aço e alcance superior a 10.000 milhas náuticas, além de capacidade para transportar mais de 150 toneladas de carga útil. Projetados para permanecerem em operação por meses sem tripulação, serão configurados para executar missões logísticas, de sensores e de suporte a operações de combate, atuando como unidades complementares aos navios tripulados da frota norte-americana. A iniciativa busca fortalecer a capacidade operacional da Marinha ao oferecer uma plataforma de rápida produção, ajustável a diferentes configurações e apoiada na infraestrutura e na cadeia de suprimentos já estabelecidas no país.

Base de projeto Damen: casco Stan Patrol 6009 e proa “Axe Bow”

O desenho da classe Liberty deriva do casco Stan Patrol 6009, da Damen, conhecido pela proa vertical do tipo “Axe Bow”. Essa característica permite “cortar” as ondas com maior eficiência, reduzindo a arfagem e elevando a capacidade de navegação em condições adversas. Com mais de 300 embarcações desse tipo em serviço ao redor do mundo, trata-se de um projeto com desempenho comprovado, o que reduz riscos técnicos e permite que a Blue Water Autonomy concentre seu esforço de engenharia na reconfiguração interna voltada à operação autônoma.

Reengenharia, automação de falhas e produção seriada

Para viabilizar a classe Liberty, foi necessária uma reengenharia completa dos sistemas mecânicos, elétricos e de propulsão, incorporando mecanismos de gerenciamento automático de falhas para sustentar operações prolongadas com intervenção humana mínima. A união de hardware, software e inteligência artificial transforma o navio em uma plataforma de elevada autonomia, capaz de manter missões oceânicas de longo alcance em ambientes exigentes. Sobre o tema, o diretor executivo da Blue Water Autonomy, Rylan Hamilton, afirmou: “A classe Liberty reflete nosso compromisso com a construção de navios autônomos projetados desde o início para operar durante longos períodos e produzir-se em série”.

O acordo entre a Blue Water Autonomy e a Damen Shipyards ocorre no modelo de cooperação técnica Damen Technical Cooperation (DTC), no qual o estaleiro holandês licencia seus projetos para construtores parceiros em diferentes regiões do mundo. Esse formato, já aplicado com sucesso em programas comerciais e governamentais, permite aproveitar competências locais para fabricar navios complexos. Nesse contexto, o Conrad Shipyard utilizará processos avançados de soldagem e montagem automatizada, viabilizando uma cadência anual em série de dez a vinte navios Liberty, consolidando um modelo industrial escalável e eficiente para a Marinha dos EE.UU.

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