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Herbert Diess: acabar com carros a combustão no Grupo Volkswagen é “simplesmente impossível”

Carro elétrico Volkswagen verde em showroom moderno com janelas e turbinas eólicas ao fundo.

Herbert Diess, diretor executivo do Grupo Volkswagen e um dos principais nomes por trás da guinada do conglomerado alemão para a mobilidade elétrica, afirma que, no horizonte de tempo que governos e reguladores vêm exigindo, é “simplesmente impossível” cravar que “vamos acabar com os carros a combustão”.

Investimento e meta de 2030 do Grupo Volkswagen

Mesmo com uma mudança clara rumo à eletrificação, o Grupo Volkswagen já anunciou 89 bilhões de euros em investimentos em tecnologias futuras para os próximos cinco anos - e, desse total, 52 bilhões de euros seriam destinados exclusivamente ao desenvolvimento de veículos elétricos.

Ainda assim, a empresa colocou na mesa um objetivo ambicioso: em 2030, metade das suas vendas deve ser composta por veículos 100% elétricos.

Diess dá a entender que até essa meta pode ser mais agressiva do que parece. Em entrevista ao podcast Decoder, da publicação The Verge, ele trouxe números e argumentos que ajudam a dimensionar o tamanho do esforço necessário.

Giga-fábricas de baterias e o tamanho do desafio

Na conversa, Diess explica por que essa transição rápida esbarra em limitações concretas. Um ponto central são as seis giga-fábricas - já anunciadas e, em alguns casos, já em construção - que dizem respeito apenas à produção de baterias.

Como o próprio executivo observa, essa conta se refere somente ao Grupo Volkswagen na Europa. Se, para atender uma participação de 20% do grupo, são necessárias seis giga-fábricas, então, na prática, isso sugeriria cerca de 30 giga-fábricas para todo o continente europeu.

E “giga” não é força de expressão: são plantas industriais de grande porte, com algo como 2 km por 1 km de área. “Vai ser desafiante”, diz ele, ao mencionar o volume de matérias-primas que precisará ser extraído e transportado para manter essas unidades produtoras de baterias em operação.

Diess também ressalta que, se chegar a 50% das vendas com carros elétricos já é um objetivo hercúleo, avançar para 100% representaria um “desafio tremendo”. Por isso, ele é categórico: “Não é só dizer, ‘Vamos desligar os carros com motores de combustão interna.’ É simplesmente impossível.”

Vale lembrar que, dentro do Grupo Volkswagen, diversas marcas já anunciaram a aposentadoria do motor de combustão interna em suas linhas. Por isso, ganha ainda mais peso entender como os obstáculos citados por Diess poderão ser contornados.

De onde vem a energia?

Ao longo da entrevista - com mais de uma hora - o executivo abordou diferentes frentes do futuro do grupo: do novo “Pão de Forma” elétrico, cuja comercialização deve começar ainda neste primeiro trimestre, ao desenvolvimento de software que acompanha essa migração para o elétrico, passando também por como as sinergias cada vez maiores podem pressionar a identidade das marcas.

Mas o debate avançou para um ponto decisivo: a origem da eletricidade que abastece os próprios carros elétricos. Diess é direto: “(…) os carros elétricos só fazem sentido se a (fonte de) energia for renovável - apenas se a energia for realmente energia ‘verde’ que vem do vento ou sol ou nuclear.”

Ele aponta que ainda existem países europeus onde, na visão dele, não faz sentido priorizar a venda de elétricos, já que a principal fonte de energia continua sendo o carvão. O exemplo citado é a Polônia, onde o carvão responde por 70% das necessidades energéticas do país.

Ao mesmo tempo, ele lista casos em que o cenário é o inverso do polonês, como França, Noruega, Áustria, algumas regiões dos Estados Unidos e Canadá - mas enfatiza que “mas isto (vender carros elétricos) tem de andar a par e passo com a conversão da produção de energia”.

“Isto requer tempo e é por isso que dois planos ambiciosos não irão funcionar. Será até contraproducente, porque fazer veículos elétricos em fábricas que funcionam a carvão é ainda pior do que andar em carros a gasolina”, conclui Diess.

Fonte: The Verge

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