A Comissão Europeia (CE) se movimenta para flexibilizar a regra que impediria a venda de veículos com motor de combustão a partir de 2035. Ainda assim, isso não abre espaço para as montadoras abandonarem a eletrificação total.
Mesmo com uma margem regulatória maior, as fabricantes continuam pressionadas a cortar emissões de forma agressiva (até 90%) - e, em determinados segmentos, a direção já parece inevitável. Nesse cenário, Thomas Schäfer, diretor-executivo da Volkswagen, deixou um recado direto sobre o futuro dos utilitários do segmento B na Europa.
Volkswagen e o segmento B: Polo com foco elétrico
Em entrevista ao jornal alemão Auto Motor und Sport, o executivo afirmou que os pequenos modelos a gasolina não devem sobreviver no mercado europeu. Na prática, carros como o Volkswagen Polo tenderão a virar exclusivamente elétricos: “o futuro deste segmento é elétrico”, ressaltou.
Normas de emissões e o custo de manter a combustão
A explicação, segundo o executivo, é objetiva: criar um automóvel novo com motor de combustão no segmento B, atendendo a padrões de emissões cada vez mais duros, ficaria caro demais para fazer sentido.
A meta que passou a valer neste ano - e que permanece até 2029 - determina uma média de 93,6 g/km de dióxido de carbono (CO2) para a frota de automóveis leves. A partir de 2030, as exigências devem apertar ainda mais, o que tende a impor custos extras.
Na visão do responsável, esses gastos inevitavelmente chegam ao preço final, fazendo com que os carros a combustão desse segmento fiquem caros demais para competir e, para a maioria dos consumidores, se tornem uma opção inviável.
E os citadinos?
Ao mesmo tempo, desenvolver um modelo a combustão para o segmento A (carros urbanos) também não está nos planos. O argumento se apoia na chegada de veículos 100% elétricos relativamente acessíveis - como o Dacia Spring, com preços a partir de 16 900 euros.
Para o segmento dos citadinos, a Volkswagen trabalha na versão de produção do concept ID. Every1, que deve reduzir a «fasquia» para os 20 mil euros.
Além desses dois modelos, a marca de Wolfsburgo também prevê um crossover elétrico, antecipado pelo protótipo ID. Cross. Os três deverão usar a plataforma MEB+, criada exclusivamente para veículos elétricos.
Combustão (ainda) não vai desaparecer
Mas, por enquanto, não é o fim de tudo. Mesmo com o avanço do investimento em modelos 100% elétricos e a diminuição do foco em motores a combustão, as duas opções devem conviver por um tempo, ao menos até os elétricos assumirem a liderança nas tabelas de vendas.
A Volkswagen ainda não estabeleceu uma data exata para encerrar a produção do Polo ou do seu “irmão” T-Cross, o que indica que ambos devem seguir à venda ao lado de seus sucessores elétricos.
Além disso, por ser a marca mais vendida da Europa, a Volkswagen encara o desafio de manter - ou até superar - os volumes atuais durante a migração para veículos elétricos.
A eletrificação do Polo e a chegada de novos modelos - como o ID. Every1 e o ID. Cross - são movimentos essenciais para garantir que a marca continue na liderança do mercado europeu, sobretudo em um segmento de alto volume de vendas.
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