A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) divulgou apenas agora o Relatório Anual de Sinistralidade a 30 dias relativo ao ano de 2023, e os dados apresentados ficam longe de serem animadores.
Em relação a 2022, os indicadores pioraram. Ao longo de 2023, no Continente e nas Regiões Autônomas, foram contabilizados 36 595 acidentes rodoviários com vítimas (óbitos, feridos graves e feridos leves), um aumento de 6,8% face ao ano anterior. Ainda assim, quando comparado com 2019, o total é menor em 1,8%.
Os números da sinistralidade em 2023
Entre os 36 595 acidentes rodoviários com vítimas registados em 2023, foram apurados 642 óbitos, 2500 feridos graves e 42 873 feridos leves.
Na comparação com 2022, isso corresponde a mais 2319 acidentes (+6,8%), mais 24 vítimas mortais (+3,9%), mais 198 feridos graves (+8,6%) e mais 2759 feridos leves (+6,9%). Parte desse crescimento pode estar associada, em alguma medida, ao aumento da circulação.
No conjunto de 2023, a frota de veículos segurados em Portugal somava 8,7 milhões, o que representa um avanço de 2,9% em relação a 2022.
No recorte europeu, a média da União Europeia (UE) é de 45,6 vítimas mortais por milhão de habitantes. Portugal aparece bem acima, com 60,8 vítimas mortais por milhão de habitantes - mais 33,1% do que a média da UE. Esse resultado coloca o país na 22.ª posição entre os 27 Estados-membros.
Qual a natureza dos acidentes?
Mais de metade das ocorrências registadas - 52,6% - foram colisões. Esse tipo de acidente respondeu por 40,5% (260) das vítimas mortais e por 46,1% (1152) dos feridos graves.
Apesar disso, foram os despistes - 34,1% do total de acidentes de 2023 - que concentraram o maior número de óbitos, representando 43% (276) do total. Em seguida aparecem os atropelamentos - 13,3% do total de acidentes de 2023 -, com 106 óbitos registados (1%).
Também em relação a 2022, aumentou a quantidade de colisões, despistes e atropelamentos: respetivamente, 8,6%, 5,2% e 4,1%.
Vítimas por tipo de via
Em 2023, houve mais vítimas mortais dentro das localidades (350) do que fora delas (292). Em ambos os casos, verificou-se aumento face a 2022: 5,1% e 2,5%, respetivamente. Ainda assim, os dois valores permanecem abaixo dos registados em 2019.
A maior parcela de acidentes ocorreu sobretudo em ruas e vias urbanas, que somaram 62,8% do total. Nesses locais, registaram-se 34,4% (221) das vítimas mortais e 46,3% (1158) dos feridos graves.
Nas estradas nacionais, nas autoestradas e nas estradas municipais, a «fatia» é menor: a primeira representa 31% dos acidentes totais, a segunda 5,5% e a terceira 3,5%.
Na comparação com 2022, houve aumento no número de acidentes nessas quatro tipologias de via, mas foram contabilizadas menos vítimas mortais, com exceção das estradas nacionais, onde esse indicador subiu 10,6%.
E por distrito…
Ao observar os distritos, as quedas mais expressivas no número de vítimas mortais ocorreram em Évora (menos sete mortes, o que significa menos 36,8%), Bragança (menos quatro mortes, menos 36,4%) e Viseu (menos nove vítimas mortais, menos 25,7%).
Em sentido oposto, os maiores aumentos em vítimas mortais foram registados em Castelo Branco (mais 10 mortes, o que equivale a mais 71,4%), Portalegre (mais seis mortes, o que significa mais 46,2%) e Beja (mais cinco mortes, mais 27,3%).
Nos números absolutos, os distritos com mais vítimas mortais foram Porto (61), Lisboa (60), Setúbal (59) e Braga (50). Já Bragança foi o que registou menos: apenas sete.
Nas Regiões Autônomas da Madeira e dos Açores, as duas tiveram aumento de acidentes rodoviários com vítimas: mais 14,4% e 1,1%, respetivamente.
Porém, no indicador de vítimas mortais, apenas a Região dos Açores apresentou crescimento: mais 28,6%, totalizando 18 óbitos. A Madeira, por sua vez, registou uma queda de 15,4%, com 11 óbitos.
Motociclos com maior aumento de vítimas
Por fim, no recorte de 2023 por tipo de veículo, os ligeiros - por serem os mais comuns - concentraram o maior volume de vítimas no Continente, com 40 663, o que equivale a um aumento de 6,2% face ao mesmo período do ano anterior.
Ainda assim, quem apresentou a maior alta em relação a 2022 foram os motociclos (cilindrada superior a 125 cm³), com mais 19,1%, correspondendo a 3737 vítimas.
Impacto económico
Em 2023, o custo económico e social dos acidentes rodoviários (com vítimas e sem vítimas) atingiu 7,2 mil milhões de euros, cerca de 3% do PIB desse ano. No mesmo ano, Portugal somou 2,234 mil milhões de euros em custos associados a vítimas mortais e 1,511 mil milhões de euros relacionados com feridos graves.
Fonte: ANSR
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