O Alpine A110 está entre os poucos esportivos leves e ainda relativamente acessíveis à venda hoje. Só que a permanência do pequeno cupê francês com o 1.8 turbo já tem data para acabar - ao menos neste momento.
A marca já trabalha no sucessor do A110 e, apesar de ainda haver dúvidas sobre qual será a solução mecânica definitiva, um ponto é certo: pela primeira vez na história do modelo, existirá uma versão movida exclusivamente por elétrons.
Ainda falta bastante para vermos o carro definitivo, mas a Alpine se prepara para exibir ao público, pela primeira vez, a mula de testes usada no desenvolvimento. A aparição acontecerá no Goodwood Festival of Speed, na Inglaterra, entre os dias 9 e 12 de julho.
E a presença da marca não vai se resumir ao protótipo. No mesmo evento estarão os demais modelos da linha, incluindo o A110 atual e os elétricos A290 e A390.
O primeiro A110 elétrico
O fato de a próxima geração do Alpine A110 ser elétrica já não causa espanto. O mais interessante é entender como a Alpine pretende preservar o que sempre definiu o carro: baixo peso, agilidade e sensação de conexão ao dirigir.
Para atingir esse objetivo, a fabricante desenvolveu a Alpine Performance Plataform (APP), uma arquitetura inédita e específica que servirá de base para o futuro A110 e para os próximos esportivos da marca.
Uma das soluções que mais chamam atenção está no layout dos componentes - sobretudo da bateria. Enquanto a maior parte dos elétricos atuais posiciona o pack no assoalho, a Alpine decidiu dividir a bateria em dois módulos, instalados um à frente da cabine e outro atrás dos bancos.
Apesar de não ser o caminho mais comum, a lógica é clara: reproduzir uma distribuição de massas próxima à de esportivos tradicionais, com repartição de 40:60 entre os eixos dianteiro e traseiro e, ao mesmo tempo, permitir uma posição de dirigir bem baixa, como se espera de um modelo desse tipo.
A capacidade da bateria, por sua vez, ainda não foi divulgada. Mesmo assim, a marca já deixou explícita a ambição: superar 500 km de autonomia e manter o peso em torno de 1500 kg.
Números especialmente importantes em um carro elétrico - e que o colocam para encarar a próxima geração, também elétrica, do Porsche 718 Cayman.
Um ou dois motores
As especificações continuam sob sigilo, mas a Alpine confirmou que o futuro A110 vai usar uma nova unidade elétrica integrada, reunindo motores elétricos e eletrônica de potência em uma solução única.
Os dados finais ainda não são conhecidos, embora tudo aponte para uma potência acima dos 345 kW (469 cv) do Alpine A390 GTS. Isso deve ser viável graças à possibilidade de a plataforma acomodar um motor em cada eixo, dando ao cupê francês tração integral.
Ainda mais relevante, porém, é o leque de aplicações que essa arquitetura abre. Diferentemente do A110 atual, concebido apenas como um cupê de dois lugares, a nova base foi pensada para sustentar diferentes carrocerias, como versões conversíveis, modelos 2+2 e até esportivos maiores voltados a mercados em que o A110 nunca conseguiu se firmar, como os EUA.
Motor a combustão ainda é uma possibilidade
A Alpine não crava a volta dos motores a combustão aos seus esportivos, mas também não descarta essa alternativa. A marca francesa já reconheceu que a nova plataforma foi projetada com flexibilidade suficiente para receber um motor a combustão, caso exista demanda por essa solução.
A afirmação foi feita por Philippe Krief, diretor-executivo da empresa, indicando que o futuro Alpine A110 pode acomodar conjuntos híbridos ou híbridos plug-in.
Por ora, entretanto, o plano segue sem mudanças: a próxima geração do esportivo será 100% elétrica. Ainda assim, ao contrário de outras fabricantes, a marca prefere se proteger, garantindo margem para se adaptar se o mercado mudar de direção.
Quando chega?
Como mencionado, a estreia pública da mula de testes ocorrerá no Goodwood Festival of Speed, entre 9 e 12 de julho. Já a apresentação do modelo de produção deve acontecer apenas em 2027.
Será nesse momento que o Alpine A110 abrirá uma nova fase em sua trajetória - e, ao que tudo indica, a mais relevante desde o lançamento da geração atual, em 2017.
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