Quando o inverno chega e os termômetros caem, a exigência sobre o carro e seus componentes aumenta. No Brasil, mesmo que o frio intenso não seja tão constante quanto em países do norte da Europa, também podemos enfrentar ondas de frio fortes que levam a temperatura para abaixo de zero.
Ainda que a neve apareça, quase sempre, apenas em regiões mais elevadas, o gelo e as temperaturas negativas podem surgir em qualquer lugar. Nessas horas, a pouca familiaridade do motorista com esse tipo de condição vira o principal inimigo do automóvel - e, no pior cenário, da segurança no trânsito.
De baterias que falham a fluidos que podem congelar, o frio extremo coloca o seu carro à prova - e pode até impedir você de entrar no veículo. Para não ser pego de surpresa, reunimos algumas dicas para quando o frio apertar de verdade.
Maçanetas das portas congeladas
Se o carro passa a noite na rua, o primeiro problema pode aparecer antes mesmo de você sentar ao volante. A umidade que fica acumulada nas borrachas das portas, ao encarar temperaturas negativas, pode congelar, “colando-as”, o que dificulta - ou até impede - a abertura.
Para evitar que as borrachas fiquem grudadas, a medida é bem simples: aplique um spray de silicone ou uma camada fina de vaselina nas vedações das portas. Isso ajuda a repelir a umidade e reduz a chance de a borracha rasgar, principalmente se você acabar forçando a abertura.
Se o seu carro ainda exige inserir a chave no cilindro da porta para destrancar, existe a possibilidade de ele estar congelado. Para prevenir, coloque um pouco de lubrificante específico - WD-40, por exemplo - para diminuir o risco de congelamento. Se a fechadura já estiver travada, não force a chave: antes, use um spray descongelante próprio.
Atualmente, muitos modelos - especialmente elétricos - usam maçanetas embutidas, alinhadas à carroceria, que também podem congelar e não “saltarem” para fora quando acionadas. Nessa situação, o caminho é aplicar calor moderado, seja com um secador de cabelo, seja com água morna, para romper a camada de gelo.
Para-brisa
É o clássico dos dias mais frios: na falta de um raspador de gelo, quem nunca recorreu ao cartão de débito/crédito para tirar a camada congelada do para-brisa? Ainda assim, é uma alternativa melhor do que acionar as palhetas do limpa-para-brisa.
Com temperaturas muito baixas (ou negativas), passar as palhetas sobre o gelo acumulado pode danificá-las - e há também o risco de elas ficarem coladas à própria camada de gelo. Se você precisar deixar o carro na rua quando houver previsão de temperatura abaixo de zero, uma boa ideia é deixar as palhetas levantadas durante a noite.
Para não transformar o problema em prejuízo, evite usar água muito quente para remover o gelo do para-brisa. O choque térmico pode trincar o vidro. Além disso, substitua a água do reservatório por um líquido de limpeza com aditivo anticongelante.
Bateria
Não são apenas as baterias dos carros 100% elétricos que sofrem com o frio intenso: a “velhinha” bateria de 12 V, presente em todos os automóveis, também pode perder uma parte considerável da capacidade de fornecer energia. Para não ficar “pendurado”, vale observar:
- Se a bateria tiver mais de três ou quatro anos, a chance de falha aumenta. Confira o estado das conexões e, se necessário, remova qualquer oxidação visível.
- Solicite um teste de carga. Se os resultados não forem adequados para as temperaturas previstas, substitua a bateria.
Deixe o motor trabalhar
Em dias muito frios, o óleo do motor tende a ficar mais viscoso, ou seja, mais espesso. Por isso, a recomendação é não sair imediatamente após dar a partida. Se as condições estiverem muito severas, deixe o motor funcionando em marcha lenta por 30 segundos a um minuto. Esse tempo ajuda o óleo a ganhar um pouco de temperatura e a circular corretamente pelos pontos críticos do motor, diminuindo o desgaste dos componentes.
Pneus
A segurança na estrada começa (e termina) nos quatro pontos de contato do carro com o asfalto: os pneus. No Brasil, não é obrigatório usar pneus de inverno como acontece em alguns países de latitudes mais altas, mas isso não elimina o risco de encontrar gelo na pista nos dias mais gelados.
A melhor proteção é a prevenção: se houver chance de formação de gelo, ajuste sua forma de dirigir, reduza a velocidade e aumente a distância para o veículo à frente. Também é importante se antecipar verificando as condições dos pneus.
O frio costuma reduzir a pressão dos pneus - a não ser que você use nitrogênio. Vale checar a calibragem com frequência e corrigir para os valores indicados pelo fabricante. Além disso, observe o desenho da banda de rodagem e assegure uma profundidade de, no mínimo, 3 milímetros.
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