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CATARC construirá na Mongólia Interior a maior base ICNEV com neve artificial até 2028

Carro esportivo elétrico azul claro em exposição com design moderno e aerodinâmico.

Novo complexo poderá criar nevascas para testar baterias, pilotos automáticos e até carros voadores

O centro estatal chinês de pesquisa em tecnologias automotivas CATARC iniciou a construção da maior base de testes do mundo dedicada ao transporte inteligente em frio extremo. O novo complexo será instalado na Região Autónoma da Mongólia Interior e a previsão é que entre em operação até 2028.

O projeto é um campo de provas especializado para veículos inteligentes movidos por novas fontes de energia - o ICNEV. A sigla engloba eletrificação, condução autónoma, conectividade em rede e eletrónica “inteligente”, tratando o automóvel como uma plataforma digital completa.

Polígono ICNEV da CATARC: áreas de ensaio e infraestrutura

A instalação deverá ocupar cerca de 67 hectares. Dentro do perímetro, a estrutura será dividida em áreas centrais: testes de baterias, motores elétricos e sistemas eletrónicos de controlo; avaliações de chassi; verificação de pilotos automáticos durante nevascas; além de uma infraestrutura dedicada, separada, para ensaios com carros voadores.

Neve artificial controlada como diferencial do centro

O principal destaque do empreendimento será um sistema fechado de geração de neve. Segundo a imprensa chinesa, trata-se do primeiro centro no mundo com capacidade de executar ensaios automotivos sob nevasca artificial controlada dentro de instalações especializadas.

Com isso, as equipas de engenharia poderão ajustar com precisão o volume de precipitação, o coeficiente de aderência do gelo, a temperatura e outros parâmetros ambientais.

Frio extremo e padronização: o problema que o projeto pretende resolver

O vice-presidente da CATARC, Li Wei, afirmou que a iniciativa foi desenhada para enfrentar uma das maiores dificuldades globais da indústria de veículos elétricos: verificar o funcionamento da tecnologia em condições de frio extremo. De acordo com ele, os testes atuais dependem demasiado do clima real, o que encurta as janelas de ensaio e dificulta a padronização.

A nova base deverá permitir a criação de cenários reproduzíveis para testes e apoiar a definição de padrões científicos unificados para avaliar a fiabilidade dos veículos elétricos no inverno. Isso é particularmente relevante para baterias, que em temperaturas baixas tendem a perder capacidade mais rapidamente e a ter redução de potência de carregamento.

As autoridades locais esperam que o complexo se torne parte de um novo modelo de desenvolvimento regional, combinando economia de inverno e alta tecnologia. O vice-prefeito de Hulun-Buir, Wen Jinlei, declarou que o centro de testes ajudará a transformar o norte da China num dos polos globais de pesquisa automotiva voltada a climas rigorosos.

Crescimento do mercado chinês e pressão por testes de inverno

A obra avança num contexto de expansão contínua do mercado chinês de eletrificados. Conforme a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis, em 2025 o país produziu 16,626 milhões de veículos elétricos e híbridos, enquanto as vendas chegaram a 16,49 milhões - altas de 29% e 28,2%, respetivamente.

Nesse cenário, o avanço de tecnologias de teste em condições de inverno torna-se um eixo estratégico para a indústria automotiva chinesa, que compete cada vez mais em mercados da Europa, da América do Norte e de regiões setentrionais da Ásia, onde a confiabilidade em temperaturas negativas continua a ser um dos fatores decisivos para o consumidor.

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