Já não tínhamos ouvido falar do G63 AMG 2013?
Não já lemos sobre o G63 AMG 2013 antes?
Sim. Só que esta é a primeira vez que dá para comprar um com o volante do lado “certo”. Ou seja: nós, britânicos, além de japoneses, fijianos, indianos e outros países que conduzem pela esquerda, finalmente podemos aproveitar a loucura visceral de um G63.
Certo. E o que mudou para 2013?
Por fora, ele continua parecendo que acabou de ser dispensado de serviço na Estrela da Morte. A diferença é que agora há setas nos retrovisores, luzes diurnas em LED e, nas versões AMG, a grade e o para-choque são exclusivos.
Por dentro, a mexida foi um pouco mais ampla. O painel e o console central são novos e há uma telinha “flutuante” de 7 polegadas, lembrando um iPad mini, instalada acima dos comandos do ar-condicionado e dos botões de bloqueio dos diferenciais (com a ajuda de uma etiquetagem bem direta: 1, 2 e 3, caso você esqueça a ordem em que deve apertá-los).
Tem mais fotos, por acaso?
Para você, claro.
Mercedes G63 AMG 2013: motor, números e barulho
E o motor?
Ele é grande. É barulhento. É idiota. Estamos a falar de um carro que, em versão civil, quando apareceu em 1979, foi pensado para lidar com no máximo 182 bhp (cerca de 185 cv). Agora ele traz um V8 5,5 litros biturbo com 540 bhp (aprox. 548 cv) e 560 lb-ft de torque (cerca de 759 Nm).
E como isso se traduz ao volante?
Com certeza ninguém pisou nisso com os cascos fendidos do bom senso. Em baixa velocidade, a rotina é cutucar o acelerador, deixar rolar e repetir - do mesmo jeito que se faria num trambolho americano meio ruim dos anos 1960. Manter o pé embaixo por mais tempo só converte gasolina em barulho e velocidade em excesso.
Ainda assim, ele encara a cidade como pato em molho hoisin. Mas não por razões “mensuráveis” como desempenho ou conforto de rodagem (a suspensão AMG rebaixada parece rígida demais para um caminhão de 2,6 toneladas). O motivo é outro: presença de rua em quantidades industriais. As pessoas se atiram para o lado como se fosse um gesto de gratidão pessoal pelo fato de você não as ter atropelado.
Na estrada e fora dela: comportamento, travões e capacidade 4x4
Vocês chegaram a sair de Londres para o testar?
Sim. E longe da cidade ele não brilhou tanto... Ele junta um par assassino: aderência fraca e uma direção antiga, vaga, do tipo recirculante de esferas. Você chega numa curva e acaba agitando os braços, saindo de frente, e então espera - com o traseiro bem contraído - o ESP chacoalhar o carro para tirá-lo do aperto.
E ainda tem a travagem. Apesar do pacote de revisões que a AMG fez - incluindo pinças fixas de seis pistões vindas do ML63 AMG - a estabilidade continua péssima. E, por algum motivo, o carro também parece parar apontando um pouco para um ângulo diferente daquele em que começou a travar.
E no fora de estrada?
Está a brincar? A gente ia estragar as nossas rodas.
Ah.
Brincadeira. Mesmo com pneus de estrada de perfil baixo, a herança militar aparece com clareza. Há um chassi de longarinas em aço com até 4 mm de espessura, eixos rígidos de verdade e aqueles três bloqueios eletrônicos de diferencial citados antes. Até com o pacote AMG, sobra vão livre por baixo dos para-choques dianteiro e traseiro, o que garante ótimos ângulos de ataque e saída.
Aponte para algo que você não conseguiria subir a pé, pressione o acelerador com delicadeza e conte as nuvens enquanto ele se puxa devagar até o topo. Sem drama, sem teatro. Ele simplesmente vai.
E ainda bem - esta é a razão de existir do Classe G. Lá nos anos 1970, o Xá do Irã sugeriu à Mercedes que construísse um 4x4; então a marca se juntou à fabricante austríaca de veículos militares Steyr-Daimler-Puch e começou a criar o "Geländewagen". Eles continuam a ser montados à mão na mesma fábrica de Graz onde eram feitos naquela época, já serviram em 63 exércitos, e a Mercedes até precisou prometer à OTAN que seguirá a produzi-los até 2025.
Preço, opcionais e o “mas...” inevitável do G63 AMG
Um carro artesanal com o emblema da Mercedes. Imagino que não seja barato.
O G63 começa em £123,140 emplacado, o que já parece muito. Só que, na prática, é um absurdo. O nosso carro de teste ainda trazia mais uns £20 mil e poucos em opcionais: tinta chique estilo Estrela da Morte? £4,285. Acabamento AMG em fibra de carbono? £3,655...
Então é um carro burro e caro que vocês não têm como recomendar?
Exato. Ele é completamente inútil. Custa mais do que um sedã de luxo de verdade, não chega nem perto da potência de um sedã preparado pela AMG, faz curvas como uma Sprinter de teto alto e tem o mesmo coeficiente de arrasto de um Ford Torino 1969 (sério - nós fomos confirmar). Compre um Range Rover e encerre o assunto.
Estou a sentir um “mas...” vindo aí...
Mas... ele é brilhante de um jeito difícil de explicar. Dá prazer. É engraçado. Dá medo. Não tem comparação... E nós adoramos. Bem, a maioria de nós. Muita gente diz que existe uma linha fina entre genialidade e loucura. Ainda bem que a Mercedes continua a aspirar isso.
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