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Renault Espace: reencontro com o MPV francês após a atualização de 2020

Carro elétrico Renault Espace 2020 branco em exibição dentro de showroom moderno.

Com somente 19 unidades emplacadas em 2020 e 36 em 2019 em Portugal (dados da ACAP), dá para afirmar sem exagero que os “dias de glória” da Renault Espace ficaram lá atrás.

Foi ela que deu origem ao segmento de monovolumes (MPV) na Europa, em 1984. Desde então, a Espace já passou por cinco gerações e somou 1,3 milhões de unidades vendidas.

Nesta geração mais recente, o monovolume francês ainda buscou se reinventar com um visual mais próximo dos seus maiores adversários - os SUV/crossover -, mas isso não se traduziu em mais sorte no mercado. Nós voltamos a cruzar com ela depois da atualização recebida em 2020.

Disfarçar as origens

A aproximação ao universo SUV/crossover nesta quinta geração ajudou a afastar (um pouco) a Renault Espace do desenho típico de um MPV.

O que surgiu daí foi um carro mais baixo e com traços mais dinâmicos do que os da antecessora e que, vale dizer, mesmo tendo sido lançado em 2015 ainda parece atual - e continua chamando atenção por onde passa.

Eu, particularmente, gosto da direção que a Renault tomou com a Espace nesta fase. Por outro lado, gostaria de ver uma distinção maior em relação à menor Grand Scénic, sobretudo na parte traseira.

Fazer jus ao nome

Como seria de se esperar, a Renault Espace honra o próprio nome: basta entrar para sentir que o que não falta é espaço.

Nos bancos dianteiros, na fileira central (cujos assentos têm ajuste longitudinal e permitem liberar bastante espaço para as pernas) e até na terceira fileira, sobra área para os ocupantes - dá para levar cinco adultos com conforto.

Falando em conforto, os bancos ajudam muito: são agradáveis e bonitos (os da frente ainda contam com função de massagem). E, como é natural num carro desse tipo, há muitos porta-objetos por toda a cabine. Já o porta-malas vai de 247 litros com sete lugares em uso a 719 litros na configuração de cinco lugares. E, se você rebater todos os bancos, quase não dá vontade de alugar uma van caso esteja de mudança.

Depois de alguns dias com a Espace, acabei lembrando por que os monovolumes fizeram tanto sucesso há alguns anos. Vamos ser honestos: mesmo existindo SUVs com sete lugares, poucos entregam o espaço, a versatilidade e a facilidade de acesso a todos os assentos que a Espace oferece - e os que entregam isso normalmente são maiores do que o MPV francês.

Quanto ao papel de topo de linha, a Espace não decepciona: há um pacote de equipamentos bem generoso. Já a qualidade de montagem interna, embora seja boa, poderia evoluir - até para acompanhar melhor os materiais usados, que são agradáveis ao toque e aos olhos.

Diesel, para que te quero

Hoje, a Espace é oferecida com apenas um conjunto mecânico: o Blue dCi de 190 cv, sempre com câmbio automático EDC - e, na prática, essa combinação cai muito bem no topo de linha francês.

Com entrega forte e progressiva, sobra fôlego para manter ritmos elevados, algo que conversa bem com a “costela” mais voltada para estrada desse modelo.

Ao mesmo tempo, mesmo garantindo bom desempenho, o motor se mostrou econômico: é possível ver médias entre 6 a 7 l/100 km, mesmo com a Espace (bem) carregada, provando que ainda há situações em que o diesel faz sentido.

Sobre o câmbio automático de seis marchas, o destaque fica para o escalonamento acertado e para a suavidade nas trocas (mais do que para a rapidez - um ponto em que, apesar de não desapontar, também não brilha).

E quanto ao comportamento dinâmico, lembra de toda aquela conversa sobre conforto? Pois é: a Espace é confortável, mas isso não vem às custas da eficiência ao rodar.

Claro que ela não pretende ser esportiva; ainda assim, considerando dimensões e proposta familiar, chega a surpreender pela agilidade - mérito do sistema de quatro rodas esterçantes “4Control”, que faz o carro parecer menor do que realmente é.

Nas demais situações, o que aparece é um equilíbrio bem resolvido entre conforto e comportamento, com direção precisa e direta, muita estabilidade e reações previsíveis - exatamente o que se espera de um carro pensado para levar a família.

É o carro certo para mim?

É verdade que ela não tem o sex appeal dos SUVs (e nem está na moda como eles), mas é difícil negar: na hora de levar muita gente e toda a bagagem, poucos SUVs conseguem fazer melhor do que a Espace.

Após 37 anos, o conceito de MPV inaugurado com a primeira Espace segue tão atual quanto no começo - uma das melhores escolhas para quem busca um carro de família com muito espaço, capaz de transportar sete pessoas sem sofrimento, e com conforto. E, no caso desta Espace, ainda com a vantagem de combinar boas prestações com consumo moderado.


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