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Mercedes SLS Roadster: o carro que acaba com o tédio no trajeto diário

Carro esportivo conversível preto Mercedes-Benz em estrada com paisagem de campo ao fundo.

O contexto: “Mas vocês não já avaliaram isso?”

Espere. Vocês não já analisaram este carro?
Sim, já. O Jeremy guiou no programa, e ele até entrou num teste em grupo em que se saiu muito bem contra um Aston Martin Virage Volante e um Bentley Conti GTC. Tudo isso mesmo sem ter portas que se abrem para cima. Só que agora o assunto é outro. Tenho um ponto a levantar.

A comutação do jeito errado

E qual é esse ponto?
Acabei de perceber que eu estava encarando o trajeto de ida e volta do trabalho do jeito errado. Por anos demais, eu parti daquela ideia geral de que a melhor forma de suportar a rotina diária é estar ao volante de um carro que te afaste o máximo possível do que acontece ao redor. Algo silencioso. Algo macio. Algo distante.

Tipo um Range Rover?
Isso, exatamente. Ou, melhor ainda, um motorista. Só que o meu argumento não se sustenta quando entramos no tema “motorista”, porque conseguir cochilar no caminho para o trabalho é só um passo antes de não precisar sair da cama. Mas estou me desviando do assunto. O meu ponto é o tédio.

Comutar é entediante. Na maioria dos dias eu faço isso num Audi A6 Avant, e ele chega muito perto de ser a ferramenta ideal em vários aspectos: tem piloto automático adaptativo por radar para evitar que você acerte o carro da frente e direção ativa para não deixar você sair da faixa, além de um som excelente, bancos com massagem e um monte de outros recursos. Ainda assim, fazer esse trajeto nele continua sendo algo para aguentar. Só que existe outro caminho.

SLS Roadster: o antídoto para o tédio no trânsito

Vai, diga logo.
Compre um SLS Roadster. Faça isso e eu prometo: você nunca mais vai ficar entediado no seu deslocamento diário. É impossível. Inconcebível. Este é, sem exagero, um dos carros de rua mais divertidos que existem. Não estou dizendo que ele é o melhor - apenas um dos mais “malcriados”. Ele tem cara de malcriado, tem som de malcriado, ronca e solta estouros de um jeito hilário, e sai por aí como se estivesse feliz demais por estar vivo. Ele tem GSOH.

Um bom senso de humor, imagino?
Exatamente. Ele já te faz rir no instante em que você abre uma das portas pequenas - ou melhor, antes disso: no momento em que você bate o olho naquele nariz absurdamente comprido. Tudo nele dá aquele arrepio bom. E, embora o que mais fique na memória seja o barulho, esse estalo e esse berro épicos, o som é mais mitologia grega do que combustão interna.

Teto, barulho e comportamento dinâmico

Mas isso só acontece com o teto abaixado, certo?
Não. Mesmo com a capota muito bem isolada - ótima para impedir que pneus de caminhão estraguem as harmonias da rodovia - o V8 aspirado não tem a menor dificuldade de se fazer ouvir. Ainda assim, com o teto abaixado é melhor. Em segunda marcha. Num túnel comprido. Ou ao lado de um muro de pedra seca. Ou perto de qualquer coisa capaz de refletir as ondas de choque do som de volta para você.

Certo, entendi. Tem mais alguma coisa que eu precise saber?
O lado prático: com a retirada do teto, a dinâmica praticamente não sofreu. Mas os mesmos pontos seguem ali. A suspensão é dura, a dianteira é bem afiada e, no molhado, a traseira fica bastante arisca. No fundo, isso tudo faz parte da diversão. Diferentemente de uma Ferrari ou de um Porsche equivalente, o SLS AMG não se leva tão a sério: ele só quer se divertir - o tempo todo. Até preso no trânsito.

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