Por que acertar o Peugeot 208 era fundamental
O Peugeot 208 é muito, muito superior ao 207 que ele substitui - e, pensando bem, também deixa o 206 para trás. Não dá para enrolar neste primeiro contato: a evolução é evidente.
A verdade é que não seria difícil melhorar o que veio antes; bastava a Peugeot não construir o 208 como se fosse de manjar branco para ele já ser, inevitavelmente, bem melhor do que os antecessores.
Ainda assim, a responsabilidade era enorme. Com a pressão dos fabricantes coreanos, que evoluíram depressa, e com a herança pouco empolgante dos modelos anteriores, o 208 precisava entregar resultado. Sem exagero: o futuro da Peugeot dependia desse acerto.
Qualidade e design: detalhes caros que fazem diferença no Peugeot 208
Por sorte, os franceses parecem viver um bom momento. “Qualidade” virou a palavra de ordem. No 208, há escolhas de design caprichadas por todos os lados - e qualquer engenheiro diria que isso custa caro para colocar num carro de produção em massa.
Repare, por exemplo, no friso cromado que “escapa” da área do vidro traseiro. Ou no desenho do para-brisa na região em que ele encontra o teto. São soluções simples, mas que elevam bastante a sensação de valor do carro.
Por dentro, os materiais também ganharam um ar mais refinado. Sim, ainda existem plásticos duros em áreas menos visíveis, mas isso não é diferente do que se vê em qualquer concorrente. E no 208, todas as versões - com exceção da básica Access - trazem a esperta tela sensível ao toque de série, o que muda completamente o ambiente.
Nada de painel poluído: no lugar, o Peugeot passa uma impressão mais sofisticada. A tela concentra funções que vão do iPod ao GPS; é fácil de entender e, de cara, faz os rivais parecerem um tanto… coisa do século XX.
Motores, consumo e emissões
A oferta de motores é ampla, começando por um novo 1.0-litro, três-cilindros a gasolina, até chegar ao 1.6 e-HDi a diesel, refinado e cheio de fôlego, testado aqui - passando pelos motores a diesel e a gasolina mais convencionais no meio do caminho.
O desenvolvimento mirou consumo e emissões, e por isso a maioria das versões fica abaixo de 100g/km de CO2. O nosso 1.6 e-HDi emite 99g/km e promete 74.3mpg (cerca de 31,6 km/l) - um resultado chamativo para um carro com 113bhp (aprox. 115 cv) e 210lb ft (aprox. 285 Nm).
Esse desempenho ambiental tem ajuda direta do “emagrecimento” do modelo. O 208 perdeu 110kg em relação ao 207, o que deixa o carro bem mais ágil - sensação reforçada pelo volante pequeno, com pegada esportiva.
Conforto e dinâmica ao volante
O rodar também agradou (ao menos nas estradas francesas), assentando rápido depois de ondulações mais longas e passando por buracos maiores em baixa velocidade sem drama. Em resumo, a suspensão é bem amortecida, o que dá ao 208 um jeito de carro maior.
Mas existe um “porém”. Em termos de comportamento, ele não chega a derrubar o Fiesta: apesar de precisa, a direção é completamente insensível nas mãos, sem nenhuma comunicação.
E, para a maioria dos compradores do 208, isso provavelmente nem será um problema. O público tende a valorizar mais a economia e o refinamento, além do salto em qualidade e design. Ainda ficaríamos com um Fiesta? Provavelmente. Só que o fato de colocar os dois na mesma frase já diz muito sobre o quanto o 208 muda o jogo. O renascimento da Peugeot continua.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário