Há pouco tempo, a Land Rover apresentou o DC100, um conceito que, segundo a própria marca, antecipava a próxima geração de um Defender mais moderno e com maior consciência ambiental.
DC100 e a “nova” chegada do Land Rover Defender
E, de repente, ele “apareceu”: um Defender novinho em folha, escoltado por um comunicado à imprensa cheio de palavras que soam quase exóticas para o modelo, como “refinado”, “eficiente” e “filtro de partículas do diesel”. Parece mesmo uma virada relâmpago.
Mas não é bem assim. Como dá para perceber a olho nu, isto não é um Defender totalmente novo. Trata-se de uma atualização bem suave do Defender original, que já se aproxima dos setenta anos, com pequenos ajustes e a adoção de um DPF para atravessar as novas exigências das normas de emissões Euro V.
Motor 2.2, DPF e Euro V: o que mudou de verdade
O antigo diesel 2.4 litros foi reduzido para 2.2 litros, mas potência e binário permanecem exatamente os mesmos: 122PS e um bovino 360NM. As emissões de CO2 caíram (para ainda pouco “santas” 295g/km nas versões de entre-eixos mais longo) e o consumo melhorou.
Ainda é o Defender “raiz”, não um SUV moderno
Não se preocupe: apesar de toda essa conversa perigosa sobre eficiência, o Defender calejado não se transformou num SUV moderno, arrumadinho e “hidratado”. Sim, existe uma nova cobertura acústica do motor para reduzir ruído; fora isso, ele continua sendo o Defender tradicional: suspensão para serviço pesado, chassi em longarinas e uma posição de dirigir que parece ter saído diretamente dos anos 1950.
O novo motor é uma melhora grande em relação ao conjunto anterior - trabalha de forma muito mais suave e, em vez de berrar pela cabine inteira, resmunga mais baixo. Ainda assim, pelos padrões dos turbodiesel atuais, continua sendo um conjunto bruto, daqueles com barba por fazer.
É um trem de força mais apropriado para arrastar um bisão para fora de um brejo do que para devorar a M6. Um veículo que encara “Ruído, Vibração e Aspereza” como metas, não como defeitos.
Capacidade off-road absurda (mesmo para os padrões atuais)
Mesmo compatível com Euro V, muita gente ainda vai enxergar o Defender como uma irrelevância num mundo de monoblocos, turboalimentação por todo lado e a possibilidade de conversar com o passageiro da frente a 60 mph (cerca de 97 km/h). Que pensem assim.
Porque isto aqui continua sendo uma máquina extraordinária, com uma capacidade fora de estrada verdadeiramente espantosa: mesmo depois de afundarmos o nosso Defender num rio de lama até a altura da linha das janelas, ele seguiu em frente, feliz da vida. O que mais - talvez um Hilux, no máximo - faria isso?
Para a esmagadora maioria do planeta, a capacidade de “conquistar um Himalaia” fica bem abaixo de coisas mais úteis no dia a dia, como um raio de giro pequeno o suficiente para contornar mini-rotatórias.
E, sem qualquer zona de deformação programada à vista, é melhor nem ficar imaginando o que aconteceria com um Defender num acidente rápido contra algo grande e inflexível: um muro, por exemplo, ou um escocês.
Ainda assim, para quem precisa de uma verdadeira besta mecânica de carga, há pouca coisa que chegue perto do velho Defender. Essas mudanças não o convertem num SUV da moda do século XXI, mas são suficientes para mantê-lo vivo até 2017 - quando, como até as fontes mais apaixonadas dentro da Land Rover admitem, ele vai morrer, provavelmente substituído por algo bem mais próximo do DC100 do que desta obra-prima de ferro-gusa. É o fim da linha.
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