Se você já colocou os pés na Itália, provavelmente reparou naquelas dezenas de Lancia Ypsilon pequeninas circulando pelas cidades. Por lá, o Ypsilon sempre vendeu muito bem - mas, fora do mercado italiano, quase não emplacou. Agora existe uma geração nova, e a Lancia quer que ele finalmente ganhe o mundo, inclusive o Reino Unido. A partir de setembro, ele chega por lá com volante à direita.
Só que com emblema da Chrysler.
Lancia Ypsilon no Reino Unido: por que ele vira Chrysler
Estranho? A Chrysler é lembrada por carros grandes e americanos. Sim - e justamente por isso a marca precisa de modelos compactos. A Fiat, que controla a Lancia, também é dona da Chrysler. E decidiu que as duas formam um bom par para um casamento arranjado.
Na Europa continental, a estratégia é inverter: os Chrysler - incluindo o novo 300 e o Voyager - passarão a ser vendidos como Lancia, ao lado do Ypsilon e do Delta. Já no Reino Unido, os quatro modelos vão usar o emblema Chrysler.
E toda a herança magnífica da Lancia, carimbada e celebrada até pelo nosso trio da TV? Stratos, Integrale, Fulvia. Até o Beta botsuano do Jeremy. Sim, sim - mas é melhor encarar a realidade: a Lancia saiu do Reino Unido há 20 anos porque ninguém comprava.
Tirando nós, quase ninguém por lá sequer se lembra da marca. A Chrysler é quem tem reconhecimento de nome e uma rede de concessionárias funcionando agora. Aceite e siga em frente.
Proposta de conforto (e não de esportividade)
Independentemente do passado de cada uma, hoje Chrysler e Lancia apontam para a mesma direção. A ideia é entregar carros confortáveis, bem equipados, com desenho marcante e soluções de espaço pouco comuns - mas sem qualquer pretensão esportiva. Pense no 300. Ou até no PT Cruiser (um dia foi uma novidade enorme; o problema é que deixaram o conceito envelhecer até embolorar).
Se você queria um Ypsilon esportivo, azar: para isso existem Abarth e Alfa.
Plataforma do 500, entre-eixos maior e o que isso muda
Na prática, o Ypsilon usa a base do 500, só que com um entre-eixos esticado. Isso traz quatro efeitos bem úteis: aumenta o espaço para quem vai atrás; melhora muito o conforto de rodagem; permite que o Ypsilon tenha cinco portas (como muitos carros urbanos - por exemplo, os coreanos - vendem hoje); e muda as proporções do 500, que lembravam um bolinho, para algo mais “carro” de verdade.
Ainda assim, o Ypsilon continua sendo pequeno - claramente mais compacto do que a média dos superminis. E isso ajuda: ele é leve e, por consequência, anda bem tanto com o TwinAir a gasolina (eleito Motor do Ano pela TG) quanto com o 1.3 a diesel. Como os motores não precisam trabalhar no limite, também acabam sendo silenciosos. É o tipo de carro em que fazer de 0 a 100 km/h em 11 s parece bem esperto.
Os pneus são finos, e dá para jogar o carro nas curvas sem cerimónia. No TwinAir, em especial, a sensação é de quase não haver peso sobre a dianteira - e, de fato, não há muito. Então, mesmo sem ser vendido como esportivo, no ambiente certo - ruelas apertadas e rotatórias - ele diverte.
Estilo, cabine e a dúvida do emblema
Você pode gostar ou não do visual, mas é difícil confundir com qualquer outro. As portas traseiras escondem as maçanetas, e o teto “flutua” acima daquele pilar traseiro em forma de vela. Eu, particularmente, gosto da versão em dois tons.
Por dentro, o painel de instrumentos fica montado ao centro para aumentar a sensação de espaço. A montagem é correta, embora alguns materiais deixem a desejar - mas vale lembrar: é um carro urbano com um toque a mais de requinte, não um rival do Audi A1. Com cerca de £13 mil, dá para levar um exemplar bem equipado.
A única pulga atrás da orelha, então, é a imagem - afinal, tem aqueles Chrysler Voyager em O Aprendiz. Dirigir um Chrysler Ypsilon vai transformar você numa versão em miniatura daqueles aspirantes a magnata, empurrões e cotoveladas no banco traseiro, berrando ordens tolas e cheias de palavrões para o telemóvel?
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