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A transformação tecnológica na logística: caminhões elétricos e autônomos

Homem de camisa azul segurando tablet com mapa ao lado de fila de caminhões brancos estacionados e conectados para recarga.

A onda tecnológica - que vai da eletrificação à digitalização - já vem mudando os carros de passeio e agora começa a alcançar outros segmentos, como a logística, especialmente no universo dos veículos pesados de carga.

Essa virada tende a impactar não apenas os caminhões em si, mas também a forma como o setor opera e gera receita, em busca de alternativas para problemas antigos.

Um desses problemas é a escassez de motoristas e o envelhecimento da categoria: estima-se que, só na Europa, hoje faltem entre 400 mil a 500 mil novos motoristas. Em 2026, esse total pode chegar a dois milhões, já que é difícil atrair os mais jovens para uma profissão com condições de trabalho pouco atrativas.

Outro ponto crítico é o impacto ambiental dos caminhões, que seguem como o principal meio de transporte de mercadorias na Europa. Atualmente, 6,2 milhões de caminhões circulam nas estradas europeias, representando 2% da frota em circulação. Ainda assim, eles respondem por 23% das emissões totais de CO₂ do transporte rodoviário.

Há soluções?

A Razão Automóvel foi ao Web Summit 2023 para conhecer duas propostas que buscam resolver - ou ao menos reduzir - esses entraves.

A primeira foi apresentada por Hendrik Kramer, cofundador e CEO da FERNRIDE, ao defender a possibilidade de frotas comerciais passarem a operar com caminhões 100% elétricos e autônomos, em vez dos caminhões a Diesel que dominam hoje e que já conhecemos tão bem.

A proposta de Hendrik Kramer é acelerar a migração para caminhões elétricos e autônomos, ampliando sustentabilidade, segurança e eficiência no transporte de mercadorias.

A segunda iniciativa veio de David Nothacker, CEO da Sennder, que propõe um modelo de negócios diferente do padrão atual no setor.

Em vez de colocar o foco no caminhão como produto, Nothacker apresenta uma plataforma digital em que transportadoras podem "alugar" caminhões, em vez de comprá-los - algo como um Uber para caminhões.

O CEO da Sennder afirma que, embora os caminhões elétricos sejam o futuro, eles ainda custam caro demais para empresas pequenas - de duas a três vezes mais que os a Diesel. Vale lembrar que 70% dos caminhões pertencem a empresas com frotas de 10 ou menos caminhões, o que torna difícil para essas companhias terem recursos para investir em caminhões elétricos.

O caminho sugerido é um modelo pay-per-use (pagamento por quilômetro), dando a essas empresas acesso a caminhões elétricos sem precisar assumir uma série de custos. O fornecimento dos próprios caminhões vem de parcerias como a firmada entre a Sennder e a Scania, que criaram uma joint venture chamada JUNA.

Obstáculos a ultrapassar

Para que essas soluções ganhem escala no setor, ainda há barreiras importantes. Elas vão desde o preço bem mais alto dos caminhões elétricos - em grande parte por causa das baterias gigantes que exigem - até a resistência de algumas transportadoras em adotar novas tecnologias.

Como relata o CEO da Sennder, eles encontraram empresas onde nem mesmo havia um smartphone para rodar o aplicativo. Isso virou um obstáculo que exigiu alternativas para contornar a lacuna, como oferecer outras formas de cobrança, por dias de uso em vez de por quilômetro.

Mas talvez um dos maiores freios ao avanço dessa indústria seja a falta de infraestrutura de recarga específica para caminhões elétricos - um problema que também atinge os elétricos de passeio. Esses veículos pesados exigem potências de recarga mais altas, além de ser necessário ampliar a disponibilidade de carregadores nos principais corredores rodoviários europeus.

Transformação radical do setor e do motorista

A eletrificação e a incorporação da condução autônoma nos veículos pesados de carga prometem não só reorganizar toda a logística, como também mudar a própria profissão de caminhoneiro.

A aposta da FERNRIDE em caminhões autônomos, por exemplo, não significa o fim do trabalho do motorista. O profissional precisará desenvolver novas habilidades, como atuar como gestor de caminhões autônomos, com a possibilidade de operá-los remotamente quando necessário. No futuro, serão necessários menos motoristas de caminhão? Tudo indica que sim.

Como a FERNRIDE projeta, esses profissionais devem ter condições de trabalho mais favoráveis. Por exemplo, deixará de ser necessário passar várias noites fora de casa, longe da família, já que não será mais indispensável que o caminhoneiro faça essas viagens. Isso pode ser um caminho para atrair as gerações mais jovens para a profissão?

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