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Jaguar F-Pace P400e: teste do SUV híbrido plugável

Carro elétrico Jaguar F-PACE P400e branco estacionado em showroom moderno com carregador elétrico ao lado.

O Jaguar F-Pace P400e é o destaque mais importante da renovação recente do SUV britânico, principalmente por marcar a estreia de uma versão híbrida plugável.

Essa novidade dá ainda mais força ao modelo mais vendido da Jaguar em um dos segmentos mais disputados do mercado europeu, «dominado» por propostas alemãs e… por uma sueca.

Mas será que ele ficou realmente mais competitivo diante de BMW X3, Audi Q5, Mercedes-Benz GLC ou Volvo XC60? A resposta está nas próximas linhas.

Diferente por fora e por dentro

No quesito visual, preciso admitir: continuo gostando bastante das linhas do Jaguar F-Pace.

Baseado na plataforma dos XE e XF (formada em 80% por alumínio), o SUV britânico consegue equilibrar bem uma aparência esportiva com a sobriedade que se espera de um carro desse segmento.

Por dentro, o que aparece é um desenho atual, com telas em evidência - mas, curiosamente, sem que os botões e comandos físicos sejam deixados de lado.

O resultado é uma cabine fácil de usar no dia a dia e com materiais em um nível comparável ao melhor que os alemães entregam.

A pena é que alguns detalhes de montagem impeçam o F-Pace de transmitir a mesma sensação de solidez que modelos como o BMW X3 ou o Volvo XC60 conseguem passar.

Durante os vários dias em que rodei com o F-Pace P400e, por outro lado, ouvi um elogio constante de quem foi no banco traseiro: espaço é o que não falta - há espaço para «dar e vender».

Não por acaso, o F-Pace é o mais longo do segmento e também o que tem o maior entre-eixos, o que coloca a habitabilidade entre as melhores da categoria.

Já no porta-malas, a adoção do conjunto híbrido plugável e das respectivas baterias no F-Pace P400e implicou uma perda de capacidade de cerca de 128 litros em relação aos F-Pace «normais».

Mesmo assim, os 485 litros dão conta com folga das necessidades de uma família, e o formato regular do compartimento ajuda bastante na hora de viajar.

Uma experiência relaxante

Se eu tivesse de resumir ao que é dirigir o F-Pace P400e em uma palavra, eu diria: «relaxante».

Não, o SUV britânico não é lento (muito longe disso) e também não decepciona no comportamento dinâmico. Ainda assim, o funcionamento suave do sistema híbrido plugável faz a gente prestar mais atenção ao refinamento e à «fleuma britânica» do F-Pace do que, propriamente, às suas habilidades esportivas.

Com um sistema de cancelamento de ruído a bordo, o F-Pace P400e dá a impressão de flutuar no asfalto - sobretudo quando rodamos no modo 100% elétrico. O conforto está em um patamar muito bom, e a suspensão faz até alguns buracos mais agressivos das nossas ruas e estradas parecerem simples irregularidades.

Quando resolvemos procurar a «veia dinâmica» desse SUV, ele entrega uma sensação agradável de leveza - mesmo com a balança apontando bem mais de duas toneladas -, além de uma suspensão que controla bem os movimentos da carroceria. A direção, porém, poderia comunicar um pouco mais.

Apesar de competente e eficiente em termos dinâmicos, ele não diverte como alguns rivais, especialmente o Alfa Romeo Stelvio. Em compensação, oferece um equilíbrio superior entre conforto e comportamento, algo totalmente aceitável (e até esperado) em um modelo pensado прежде de tudo para transportar a família.

Eletrificado, mas não tão econômico

A eletrificação pode ter deixado o F-Pace com um jeito ainda mais tranquilo, mas a verdade é que, no desempenho, o SUV britânico chega a impressionar.

Com um motor 2,0 l turbo de quatro cilindros com 300 cv combinado a um motor elétrico de 105 kW (143 cv), o F-Pace P400e entrega 404 cv e 640 Nm. São números que chamam atenção.

Seja em qual modo for («Eco», «Dinâmico» e também «Chuva/Gelo/Neve»), ele sempre acelera com decisão e força, «cortesia» dos 640 Nm de torque já às 1500 rpm. Sério… nessas horas, dá até para esquecer que estamos ao volante de um SUV com 2190 kg.

O câmbio automático ZF de oito marchas também merece elogios: ele se mostra o «par ideal» do motor a combustão e consegue se ajustar muito bem ao estilo de condução. Se a tocada é mais calma, ele faz de tudo para manter o motor sussurrando no giro certo; se você exige mais, ele o coloca para rugir.

Agora, se todo o sistema híbrido plugável do F-Pace P400e merece aplausos pelo desempenho, o mesmo não dá para dizer do consumo - que varia bastante de acordo com o nível de carga da bateria.

Sim, é verdade que há mais de 40 km de autonomia elétrica real (a Jaguar anuncia 51 km no ciclo WLTP combinado e 56 km no ciclo WLTP urbano), mas o motor a combustão Ingenium se mostra um pouco guloso quando precisa entrar em ação.

Ao longo deste teste, em um conjunto de percursos que incluiu tanto longos trechos de rodovia quanto algum tempo no «para-e-anda», a média ficou em 8,3 l/100 km. Já quando baixei o ritmo e evitei o trânsito urbano, a média caiu para números mais razoáveis, entre 6,5 l/100 km e 7 l/100 km.

É o carro certo para você?

Com visual marcante e uma habitabilidade de referência, o Jaguar F-Pace P400e surge como uma alternativa a considerar entre os SUVs premium eletrificados.

Sim, ele não é tão econômico quanto, por exemplo, o BMW X3 xDrive30e, mas vale lembrar que entrega mais 112 cv do que a proposta da BMW.

Fica o lamento pela robustez de montagem, que não acompanha a alta qualidade dos materiais, e também por um preço consideravelmente superior ao da maioria dos rivais. Inclusive acima do I-Pace 100% elétrico que o Miguel Dias testou recentemente.


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